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Personagem: Bela

Ilustração do personagem bíblico Bela

Ilustração do personagem bíblico Bela (Nano Banana Pro)

A figura de Bela, embora não seja central nas grandes narrativas bíblicas, aparece em diversas passagens do Antigo Testamento, representando diferentes indivíduos que desempenharam papéis significativos em seus respectivos contextos. A análise de Bela requer um exame cuidadoso das menções genealógicas e históricas, revelando a precisão e a intencionalidade da Escritura em registrar a linhagem e a soberania divina sobre povos e indivíduos.

Sob uma perspectiva protestante evangélica, a compreensão de Bela contribui para a apreciação da fidelidade de Deus em preservar linhagens, estabelecer nações e cumprir Seus propósitos redentores. Este estudo se aprofundará nas ocorrências do nome, explorando seu significado, o contexto de cada personagem e sua relevância teológica para a compreensão mais ampla da história da salvação.

1. Etimologia e significado do nome

O nome Bela (em hebraico: בֶּלַע, transliterado como Belaʿ) é encontrado em diversas passagens do Antigo Testamento. A raiz etimológica de בֶּלַע é frequentemente associada ao verbo "engolir", "consumir" ou "destruir". Esta conotação pode sugerir força, poder de aniquilação ou até mesmo a ideia de um "devorador".

Em um contexto bíblico, nomes muitas vezes carregavam um significado profético ou descritivo, refletindo o caráter, o destino ou a função de uma pessoa. Para um rei, como Bela de Edom, o nome poderia simbolizar a capacidade de dominar ou a ameaça que representava para seus inimigos. Para um líder tribal, como Bela de Benjamim, poderia evocar força e resiliência.

Não há variações significativas do nome nas línguas bíblicas, sendo a forma hebraica Belaʿ a mais comum. A transliteração para o português geralmente mantém a grafia "Bela". A consistência do nome, apesar dos diferentes indivíduos que o portam, sublinha a precisão dos registros bíblicos.

Existem três personagens principais com o nome Bela na Bíblia, cada um com sua própria relevância:

  1. Bela, filho de Beor, rei de Edom (Gênesis 36:32; 1 Crônicas 1:43).
  2. Bela, filho primogênito de Benjamim, patriarca de um clã (Gênesis 46:21; Números 26:38; 1 Crônicas 7:6-7; 1 Crônicas 8:1-5).
  3. Bela, filho de Azaz, um chefe da tribo de Rúben (1 Crônicas 5:8).
A significância teológica do nome, portanto, é multifacetada e deve ser interpretada à luz do contexto específico de cada indivíduo. A ideia de "consumir" ou "engolir" pode ser vista como uma força destrutiva em um contexto de guerra e rivalidade, ou como uma capacidade de liderança e organização dentro de uma comunidade.

Para o rei edomita, o nome pode prefigurar a natureza muitas vezes belicosa e hostil de Edom em relação a Israel. Para o filho de Benjamim, pode denotar a força e a proeminência de sua linhagem dentro da tribo, conhecida por sua bravura e habilidades militares (cf. Juízes 20:16).

2. Contexto histórico e narrativa bíblica

2.1. Bela, filho de Beor: o rei de Edom

Bela, filho de Beor, é apresentado nas Escrituras como o primeiro de uma série de reis que reinaram sobre Edom "antes que houvesse rei sobre os filhos de Israel" (Gênesis 36:31-39; 1 Crônicas 1:43-50). Este período histórico remonta a uma era anterior à monarquia israelita, provavelmente na primeira metade do segundo milênio a.C., durante os tempos patriarcais ou logo após.

O contexto político da época mostrava Edom como um reino estabelecido e organizado, descendente de Esaú, irmão de Jacó. A menção desses reis edomitas no livro de Gênesis destaca a soberania de Deus sobre todas as nações, revelando que Ele estabelece e depõe governantes, mesmo entre aqueles que não fazem parte de Seu povo da aliança (cf. Daniel 2:21).

A genealogia de Bela o identifica como filho de Beor e originário de Dinhabá, que provavelmente era a capital ou uma cidade importante de seu reino (Gênesis 36:32). As passagens bíblicas não registram eventos específicos de sua vida ou reinado, exceto sua posição como rei e a menção de seu sucessor, Jobabe. Sua importância reside em ser o primeiro de uma lista que estabelece a cronologia e a estrutura do reino de Edom.

A geografia associada a este Bela é o território de Edom, uma região montanhosa ao sul do Mar Morto, caracterizada por terrenos rochosos e estratégicos. Edom era vizinha de Israel e frequentemente se envolveu em conflitos com os descendentes de Jacó (cf. Números 20:14-21). A existência de um reino edomita organizado tão cedo na história bíblica é um testemunho da promessa de Deus a Esaú de que ele também se tornaria uma grande nação (Gênesis 27:39-40).

2.2. Bela, filho de Benjamim: o patriarca

O segundo Bela proeminente é o filho primogênito de Benjamim, o caçula de Jacó e Raquel (Gênesis 46:21). Sua vida se desenrola primeiramente no contexto patriarcal, quando ele desceu ao Egito com seu pai Benjamim e o restante da família de Jacó, totalizando setenta almas (Êxodo 1:5).

Ele é mencionado novamente nos registros censitários de Israel no deserto, onde seus descendentes, os belaítas, formam um dos clãs da tribo de Benjamim (Números 26:38). As genealogias em 1 Crônicas 7:6-7 e 1 Crônicas 8:1-5 fornecem detalhes adicionais sobre sua posteridade, listando seus filhos, como Adar (ou Arde), Gera, Abiú, Abisua, Naamã, Anoé, entre outros, e destacando que sua família era numerosa e composta por homens valentes e poderosos.

O período histórico abrange desde a formação das doze tribos de Israel, passando pela estada no Egito, o Êxodo e a conquista de Canaã. Bela é uma figura fundacional para a tribo de Benjamim, que mais tarde seria conhecida por sua ferocidade em batalha e por produzir figuras como o primeiro rei de Israel, Saul (1 Samuel 9:1-2), e o apóstolo Paulo (Filipenses 3:5).

A geografia inicial associada a este Bela é o Egito, onde a família de Jacó se multiplicou. Posteriormente, seus descendentes se estabeleceram na terra de Canaã, na porção territorial designada à tribo de Benjamim, entre Judá e Efraim, uma região estrategicamente importante (cf. Josué 18:11-28). As relações deste Bela são intrínsecas à família de Israel, sendo ele neto de Jacó e ancestral de uma das doze tribos.

2.3. Bela, filho de Azaz: o chefe rubenita

Uma terceira menção de Bela é encontrada em 1 Crônicas 5:8, onde ele é identificado como filho de Azaz e parte da tribo de Rúben. Ele é descrito como um dos chefes que habitaram em Aroer e até Nebo e Baal-Meon. Esta menção é breve e se encaixa no contexto das genealogias das tribos de Israel no período pré-exílico, provavelmente enfocando a distribuição de terras e a organização tribal a leste do Jordão.

Seu papel é puramente genealógico, indicando a complexidade e a extensão das famílias dentro das tribos de Israel. Embora não haja detalhes narrativos sobre sua vida, sua inclusão nas crônicas reforça a meticulosidade dos registros bíblicos na preservação da identidade tribal.

3. Caráter e papel na narrativa bíblica

3.1. O caráter de Bela, rei de Edom

As Escrituras não oferecem uma descrição detalhada do caráter de Bela, o rei de Edom. Sua menção é puramente histórica e genealógica (Gênesis 36:32-33; 1 Crônicas 1:43-44). Não há relatos de suas virtudes, falhas, ações significativas ou decisões-chave. Ele é apresentado como um governante em uma linha sucessória, o que sugere um reino estabelecido e uma estrutura política funcional em Edom.

Seu papel principal na narrativa bíblica é o de um marcador cronológico e um testemunho da soberania de Deus sobre as nações. A lista de reis edomitas serve para sublinhar que Edom, descendente de Esaú, já possuía uma monarquia antes de Israel. Isso pode ser interpretado como um cumprimento parcial da bênção de Isaque a Esaú, de que ele se tornaria uma nação e viveria pela espada (Gênesis 27:40).

A falta de detalhes sobre seu caráter ou ações não diminui sua importância histórica. Em um dicionário bíblico-teológico, a ausência de informação direta sobre o caráter de Bela serve para destacar que nem todos os personagens são apresentados com o mesmo nível de detalhe. Alguns são meros pontos de referência na grande tapeçaria da história da salvação, demonstrando a abrangência dos propósitos divinos.

3.2. O caráter de Bela, filho de Benjamim

Similarmente ao rei edomita, as Escrituras não fornecem uma análise explícita do caráter de Bela, filho de Benjamim. Sua relevância reside em sua posição como primogênito de Benjamim e patriarca de um dos principais clãs da tribo (Gênesis 46:21; Números 26:38; 1 Crônicas 7:6-7; 1 Crônicas 8:1-5). Seu papel é fundamentalmente genealógico, assegurando a continuidade e a identidade da tribo de Benjamim dentro da nação de Israel.

As listas de 1 Crônicas descrevem seus descendentes como "homens valentes e poderosos" (1 Crônicas 7:7), o que pode inferir uma linhagem forte e capaz, talvez refletindo qualidades que foram valorizadas em Bela, o patriarca. A tribo de Benjamim era conhecida por ser combativa e habilidosa com armas (Juízes 20:16), e Bela, como seu primogênito e ancestral de muitos, desempenhou um papel crucial na fundação dessa identidade tribal.

Sua principal ação registrada é sua inclusão na lista daqueles que desceram ao Egito com Jacó (Gênesis 46:21), o que o coloca no início da formação da nação de Israel. Ele é um elo vital na cadeia genealógica que conecta os patriarcas à nação estabelecida no deserto e, posteriormente, em Canaã. Seu desenvolvimento como personagem é implícito na prosperidade e na força de seus descendentes.

3.3. O caráter de Bela, o rubenita

A menção de Bela, filho de Azaz, na tribo de Rúben (1 Crônicas 5:8), é ainda mais concisa. Não há nenhuma informação sobre seu caráter, virtudes ou falhas. Ele é listado como um chefe que habitou em certas localidades, o que indica uma posição de liderança ou proeminência dentro de seu clã. Seu papel é estritamente genealógico e territorial, contribuindo para a organização interna da tribo de Rúben.

A presença de múltiplos indivíduos com o mesmo nome Bela, cada um cumprindo um papel distinto (rei, patriarca tribal, chefe de clã), demonstra a riqueza e a complexidade das Escrituras. Cada Bela, em seu próprio contexto, serve como um ponto de referência para a compreensão da história, da genealogia e da soberania divina sobre a humanidade.

4. Significado teológico e tipologia

4.1. Bela, rei de Edom: um marcador na história redentora

Bela, o rei de Edom, não é uma figura com significado tipológico direto para Cristo. Contudo, ele desempenha um papel significativo na história redentora ao demarcar a existência e a organização de uma nação rival, descendente de Esaú. Edom, muitas vezes, serve como um "anti-tipo" ou um contraste a Israel, representando as nações que se opõem ao povo da aliança de Deus (cf. Amos 1:11).

Sua menção em Gênesis 36:31 ("estes são os reis que reinaram na terra de Edom, antes que reinasse rei algum sobre os filhos de Israel") é teologicamente carregada. Ela sublinha a providência divina que permitiu a Edom desenvolver uma monarquia antes de Israel, mostrando que Deus governa sobre todas as nações, mesmo aquelas que não estão em Sua aliança especial. Isso reforça a soberania universal de Javé (Deuteronômio 32:8).

A existência de Bela e a nação de Edom estão conectadas às promessas e profecias dadas a Esaú (Gênesis 27:39-40), que incluem a formação de uma nação poderosa. A eventual inimizade entre Edom e Israel, manifestada em eventos como a recusa de passagem a Moisés (Números 20:14-21) e as profecias de juízo contra Edom (e.g., Obadias 1), é um tema recorrente que ilustra a separação entre a linhagem da promessa e as nações externas.

Portanto, Bela de Edom contribui para a teologia da história redentora ao contextualizar a soberania de Deus sobre nações pagãs e a distinção entre a linhagem da aliança e os povos ao redor. Ele serve como um lembrete do plano divino que se desenrola através de interações complexas entre povos, culminando na vinda do Messias através da linhagem de Israel.

4.2. Bela, filho de Benjamim: a preservação da linhagem da aliança

Bela, filho de Benjamim, também não é um tipo direto de Cristo. No entanto, sua significância teológica é profunda no contexto da preservação da linhagem da aliança e da formação da nação de Israel. Como primogênito de Benjamim, ele é fundamental para a identidade e a continuidade de uma das doze tribos, que são o recipiente das promessas divinas (Gênesis 46:21).

A inclusão de Bela e seus descendentes nas genealogias detalhadas de Números e 1 Crônicas enfatiza a fidelidade de Deus em manter Sua aliança com Abraão, Isaque e Jacó, prometendo multiplicar sua descendência e fazer dela uma grande nação (Gênesis 12:2; Gênesis 22:17). Essas listas genealógicas não são meros registros; elas são uma demonstração da providência divina na formação de Israel.

Embora a salvação venha de Judá (João 4:22), a integridade de todas as tribos era vital para a identidade nacional e para a compreensão do plano de Deus para o Seu povo. Bela, como ancestral, contribui para a teologia da eleição e da preservação do povo de Deus, através do qual a promessa messiânica seria finalmente cumprida. Ele representa a contribuição de uma tribo específica para a tapeçaria geral da redenção.

A tribo de Benjamim, através da linhagem de Bela, produziu o primeiro rei de Israel, Saul, e mais tarde, o apóstolo Paulo, que se descreveu como "hebreu de hebreus; quanto à lei, fariseu" (Filipenses 3:5). Assim, a figura de Bela, o ancestral, está ligada indiretamente a figuras cruciais na história da salvação, demonstrando a providência de Deus na preparação de Seu povo para o advento do Messias.

4.3. Bela, o rubenita: a importância das genealogias

A menção de Bela, o rubenita (1 Crônicas 5:8), reforça a importância teológica das genealogias em geral. As listas genealógicas no Antigo Testamento servem para estabelecer identidade, herança e a continuidade da aliança. Elas são a prova documental da fidelidade de Deus em preservar Seu povo e suas divisões tribais, mesmo após o exílio.

Essas listas garantem que a história de Israel não seja meramente uma coleção de narrativas, mas um registro preciso da providência de Deus ao longo das gerações. Cada nome, incluindo Bela, contribui para a compreensão da estrutura familiar e social que sustentou a nação e, em última instância, pavimentou o caminho para a encarnação de Cristo.

5. Legado bíblico-teológico e referências canônicas

5.1. Legado de Bela, rei de Edom

As menções de Bela, rei de Edom, estão confinadas a Gênesis 36 e 1 Crônicas 1. Seu legado reside principalmente em sua função como um marco histórico e genealógico. Ele é parte da narrativa maior da descendência de Esaú, que é crucial para entender a relação complexa e muitas vezes antagônica entre Israel e Edom ao longo da história bíblica (cf. Malaquias 1:2-3).

Na teologia bíblica, a inclusão dos reis de Edom serve para ilustrar que Deus não é apenas o Senhor de Israel, mas o soberano de todas as nações. Ele permite que impérios se levantem e caiam, e seus registros são parte do testemunho da abrangência de Sua providência. A tradição interpretativa judaica e cristã reconhece esses reis como figuras históricas, embora sem atribuições morais ou espirituais específicas.

Para a teologia reformada e evangélica, a existência de Bela e seus sucessores em Edom reforça a doutrina da soberania divina sobre a história universal. A distinção entre a linhagem de Esaú e a de Jacó é um tema que aponta para a eleição divina e a separação do povo da aliança, um princípio fundamental da teologia do pacto. A menção de Bela é, portanto, um elemento que contribui para a compreensão do cânon como um registro histórico e teológico fiel.

5.2. Legado de Bela, filho de Benjamim

Bela, filho de Benjamim, é mencionado em Gênesis 46:21, Números 26:38, 1 Crônicas 7:6-7 e 1 Crônicas 8:1-5. Seu legado é de natureza genealógica, mas com profundas implicações teológicas para a identidade de Israel. Como patriarca de um clã proeminente na tribo de Benjamim, ele é fundamental para a organização e a estrutura social do povo da aliança.

As extensas genealogias em 1 Crônicas, que detalham a linhagem de Bela, tinham um propósito teológico crucial para a comunidade pós-exílica. Elas reafirmavam a identidade dos judeus retornados, conectando-os aos seus antepassados e às promessas de Deus, garantindo a continuidade do povo da aliança. A descendência de Bela como homens valentes (1 Crônicas 7:7) reforça a importância da tribo de Benjamim na defesa e na liderança de Israel.

Na teologia reformada e evangélica, a meticulosa preservação das genealogias, incluindo a de Bela, é vista como um testemunho da fidelidade de Deus. Essa precisão genealógica é vital para a compreensão do plano redentor, que culmina na vinda de Jesus Cristo através da linhagem de Davi, que por sua vez está inserida na grande família de Israel. A menção de Bela é um elo que demonstra a autenticidade e a historicidade da narrativa bíblica.

A influência de Bela na teologia bíblica reside na validação da autoridade das Escrituras em seus registros históricos e genealógicos. Ele contribui para a doutrina da eleição e da preservação do povo de Deus, que se manifesta através das doze tribos. Sua presença no cânon reforça a visão de que cada detalhe da Bíblia, mesmo as listas de nomes, tem um propósito no grande desígnio de Deus para a salvação da humanidade.

5.3. Legado de Bela, o rubenita

A breve menção de Bela, o rubenita, em 1 Crônicas 5:8, embora limitada, contribui para a compreensão da completude e da abrangência dos registros bíblicos. Ele representa a atenção da Escritura aos detalhes da organização tribal de Israel, especialmente para as tribos a leste do Jordão, que muitas vezes são menos abordadas nas grandes narrativas.

Seu legado, como os outros Belas, é o de um ponto de referência genealógico que atesta a estrutura e a identidade das tribos de Israel. Para a teologia evangélica, essas listas reforçam a historicidade da Bíblia e a providência divina na organização de Seu povo. A menção de Bela e outros chefes tribais em 1 Crônicas demonstra a importância da herança e da continuidade para a compreensão da história da salvação e do cumprimento das promessas de Deus.